Pronunciamentos feitos por distintos grupos de mulheres na plenário final do dia 25 de novembro.

Estão disponíveis também em francês e espanhol.

 

MULHERES COM DIVERSIDADE FUNCIONAL E DISCAPACIDADE:

Nós mulheres com discapacidade saudamos este EFLAC e nos sentimos honradas em poder participar e tornar visíveis parte das nossas realidades. No entanto, queremos dizer que, no âmbito deste encontro, vivenciamos algumas situações que esperamos que sejam modificadas no próximo EFLAC. Dentro destas estão algumas dificuldades de acessibilidade, tanto físicas como de informação e comunicação. Os banheiros não são acessíveis. Não conseguimos acessar várias das oficinas e atividades que foram propostos, porque os espaços não tinham acessibilidade. A fim de ter uma maior participação de mulheres com diferentes capacidades – motora, auditiva, visual, psicossocial, intelectual, múltipla -, estendemos um convite afetuoso para refletirmos juntas, sejamos autocríticas para construirmos juntas o caminho para alcançar a verdadeira inclusão de todas. Convidamos as companheiras para, por favor, desconstruirmos-nos desde o lugar de cada uma e dos lugares e cenários em que participamos. As mulheres com discapacidade na América Latina vivem diferentes situações de violência sistemática. Na América Latina, estão esterilizando forçosamente as mulheres com discapacidade, especialmente com discapacidades intelectuais e psicossociais, estão institucionalizando de maneira forçosa as mulheres com discapacidade. Existe abuso sexual no interior de instituições psiquiátricas e instituições de educação especial. Como refletimos sobre isso, como fazemos para que todas nós conscientizemos-nos de que todas temos direito de falar “meu corpo é meu e eu decido”. Esse lema, de mulheres com discapacidade, ainda não existe. Fazemos um último convite carinhoso e amoroso para que o EFLAC se pronuncie contra estas esterilizações forçadas em mulheres com discapacidade. Contra a interdição ou curatela, que é uma figura jurídica que elimina a tomada de decisão das mulheres com discapacidade. Que se pronuncie contra a institucionalização forçada das mulheres com discapacidade em toda a América Latina.

Nos mulheres com discapacidade também choramos, amamos, dançamos, fazemos sexo, somos corpos eróticos.

Este documento é escrito por mulheres com dsiscapacidade que nos encontramos neste lindo espaço, do Uruguai, Argentina, Brasil e Colômbia. Obrigada companhieras.

 

COMPANHEIRAS DE PORTO RICO:

Nós propomos este pronunciamento sobre Porto Rico, onde, em particular, as mulheres sofrem a devastação e a destruição de infraestrutura e governança causadas pela passagem de dois furacões de forças catastróficas. Porto Rico é uma nação da América Latina e do Caribe, mas é uma colônia dos Estados Unidos, que impõe suas políticas neoliberais à ilha, o que levou o país a uma das suas piores crises humanitárias. Nós, participantes do 14º EFLAC, somos solidárias com nossas irmãs de Porto Rico e exigimos que o governo dos Estados Unidos e o governo de Porto Rico cumpram a obrigação de atender a reconstrução sustentada de Porto Rico e garanta a segurança, participação democrática e todos os direitos humanos, bem como o direito à descolonização.

 

PROFISSIONAIS DO SEXO:

Este 25 de novembro, Dia Internacional de Eliminação da Violência contra Mulheres, lésbicas, bissexuais e trans, as profissionais do sexo de 14 países da região pertencentes à Red TraSex, rede de profissionais do sexo da América Latina e do Caribe, exigimos aos Estados e governos que parem de criminalizar-nos e violar nossos direitos humanos. Basta de violência institucional, perseguição policial, abuso e detenções arbitrárias. Exigimos justiça pelos feminicídios cometidos contra nossas companheiras, feminicídios que na grande maioria permanecem impunes. Basta de equiparar o tráfico de pessoas com o exercício do trabalho sexual, empurrando-nos para maior clandestinidade e anulando o nosso direito de decidir. O trabalho sexual é trabalho. Apelamos para a construção de um feminismo inclusivo, um feminismo que gere ponte de diálogo com nós, profissionais do sexo, para que possamos deixar de lado os problemas que nos dividem e encontrarmos pontos em comum para gerar uma agenda que lute contra a violência que a cada vez mais se perpetua em nossas vidas e avança a passos largos na mão da direita em nossa região. Finalmente, fazemos um chamado a unidade, para sermos verdadeiramente “sorosas” entre nós, deixar de estarmos dispersas e unirmo-nos, porque juntas somos poderosas e temerosas, porque juntas venceremos o patriarcado. Para frente o feminismo que vai vencer.

 

ASSEMBLÉIA DE LESBIANAS:

Olha essa que vem, olha aquela linda que vai. a revolução lésbica que não dá um passo atrás! (Música)

As lésbicas, bissexuais e trans convocadas em uma assembleia lesbofeminista no dia de ontem, decidimos fazer um ato de visibilidade lésbica e convidar todas aqui presente para manifestar sua lesbianidade, levantando-se.

Vai não se esconde, vem pro sapabonde
(Musica)

Nós também parabenizamos a comissão organizadora pela excelente organização. Estávamos falando que de 152 oficinas, havia poucas que falavam de nós: somente 4. Nós também vimos que, na assembleia em que se falou sobre os feminismos, nos chamavam de uma maneira um pouco ligth. Consideramos que precisamos de uma assembleia lesbofeminista em todos os EFLACs. E também consideramos que somos muitas e que precisamos estar organizadas, emaranhadas, que precisamos de uma rede de lésbicas, bissexuais, cis, trans, latino-americana e caribenha. As lesbicas, bisexual, cis, trans, queremos conhecer os critérios de seleção das oficinas do EFLAC. Para isso, propomos, além disso, transversalizar os eixos ou nos incluir em algum deles específico. Principalmente, hoje estamos aqui para denunciar as violações corretivas, denunciar os processos judiciais onde invisibilizam as nossas companheiras, que foram assassinadas ou perseguidas. Absolvição para Higi, justiça para Nicole Saavedra.

Lésbicas negras existem e resistem, salve! Tem uma música minha que dediquei para as mulheres negras da minha vida, que são as mulheres negras que eu amo. Eu gostaria que vocês puxassem as palmas, assim:

Preta pretinha, cola do meu lado vem comigo ser rainha

Preta pretinha, eu já gosto desse encaixe da sua boca que já conhece à minha

Preta pretinha, cola do meu lado vem comigo ser rainha

Preta pretinha, eu já gosto desse encaixe… Gratidão!

Lésbicas negras, revolução do amor, pode crer!

Outra música

Se o mundo, se o mundo fosse cheio de sapatão

Se o mundo, se o mundo fosse cheio de sapatão

Seria a revolução, revolução das sapatão!

Basta de violência contra mulheres lésbicas. Fora Temer! Que se vá o fundamentalismo da América Latina! Fora Macri, fora Macri!

Nós vamos com um mantra lésbico de Isabel Garcia, siga: se quiser saber quem sou, sou lésbica, se quiser saber que sou, sou lésbica, deixei o normal por lésbica, dissidente, e alegre, lésbica, eu tenho um corpo gordo e lésbico, eu tenho outra que é muito magra e lésbica, e, embora pareça que não sou, sou lésbica e, embora pareça que sou, sou lésbica, mas deixo meu cabelo para lésbica, bem visível e orgulhosa, lésbica, uma mostra outro qual, lésbica, a vida é curta companheira, fazer-se lésbica. Aqui está a resistência lésbica, aqui está a resistência lésbica.

 

COMPANHEIRAS DE NICARAGUA:

Alerta, alerta, alerta, alerta que caminha, na luta feminista por América Latina

Alerta, alerta, alerta, alerta que caminha, na luta feminista por América Latina

As feministas nicaraguenses denunciamos o governo de Daniel Ortegua que, através da polícia nacional, esta reprimindo a marcha nacional que está prestes a começar em Manágua, uma marcha com a participação de mulheres de todos os departamentos do país. Eles pararam os ônibus que estão a caminho de Manágua, estão prendendo-os e levando a polícia. Há uma presença militar de policiais de antimotines onde estava planejado o percurso da marcha: todas as antimotines, como uma estratégia das feministas se confrontarem com outras mulheres policiais. O governo de Daniel Ortega não é um governo de esquerda, nem é socialista, nem é solidário, muito embora quer parecer a nível internacional. Este tem sido um governo que se aliou ao capitalismo e aos fundamentalismos religiosos para prejudicar e reprimir mulheres feministas no país. É liderado por um homem que em 1998 foi denunciado por abuso sexual e que representa a impunidade que prevalece em Nicarágua. A partir deste encontro, concordamos com nossas companheiras feministas e todas as mulheres que estão em Nicarágua e queremos evidenciar a violação dos direitos das mulheres, a serem levados às ruas.

Eles têm medo de nós porque não temos medo! Eles têm medo de nós porque não temos medo! Eles têm medo de nós porque não temos medo! Eles têm medo de nós porque não temos medo!

 

CAMPANHA MILAGRO SALA:

Ole ole, ole olá, para Milagro a liberdade e para Macri o repúdio popular

Ole ole, ole olá, para Milagro a liberdade e para Macri o repúdio popular

Bom dia feministas da América. Pedimos uma declaração deste encontro, que declare que exigimos a liberdade de Milagro Sala, Graciela Lopez, Gladis Diaz, Mirta Aisama e Mirta Guerrero. Denunciamos o governo argentino por não cumprir as resoluções dos organismos internacionais de direitos humanos e exigimos o cumprimento destas, e a liberdade imediata de Milagro Sala. Também pedimos a absolvição de Higui, atacada por ser lésbica e presa por se defender. Exigimos a absolvição de Estela, médica condenada por garantir um aborto legal. Pedimos a absolvição de Daiana Gorocito, culpada por um crime cometido por seu parceiro. A aparição com a vida de Shuana Ramayo, basta de trafico. E pedimos justiça para o transvesticida, dirigente trans Diana Sacayan. Liberdade para Victoria Aguirre em Misiones, liberdade para Rosalía Jara, justiça para ela. Portanto, esse encontro feminista diz:

Ole ole, ole olá, para Milagro a liberdade e para Macri o repúdio popular

Ole ole, ole olá, para Milagro a liberdade e para Macri o repúdio popular

Ole ole, ole olá, para Milagro a liberdade e para Macri o repúdio popular

Ole ole, ole olá, para Milagro a liberdade e para Macri o repúdio popular

Chega de perseguição política e violência contra Cristina Fernández.

 

NOSSOS CORPOS, NOSSOS TERRITÓRIOS:

Boa tarde companheiras feministas, irmãs feministas. Esta campanha que vamos apresentar foi aprovada no Fórum Social Pan Amazônico, que aconteceu no final de abril. Entre as mulheres que participaram, acordamos em estimular uma campanha: “Nossos corpos, nossos territórios”.

O respeito pelo autocuidado, o respeito pela diversidade. Vamos ler apenas os dois últimos parágrafos do pronunciamento, porque pensamos que utilizar bem o tempo, é parte do autocuidado.

As transnacionais extrativistas geraram na ultima década conflitos sociais em diversos territórios da América Latina e do Caribe. Eles criminalizaram o “protesto”, perseguindo, encarcerando, desaparecendo, assassinando as mulheres e os homens dos nossos povos. Maxi Macuña no Peru, Berta Cáceres em Honduras e muito mais. Nossos corpos e nossos povos são territórios que defenderemos dos fundamentalismos religiosos e econômicos, das tropas militares e deste sistema patriarcal e colonialista que nos explora, expropria e violenta. Por essa razão, propomos promover uma campanha internacional, a ser assumida em cada país, em defesa de nossos corpos e nossos territórios diante do avanço dos fundamentalismos religiosos, econômicos e culturais e desse sistema patriarcal e colonialista que nos explora, expropria e violenta. Concordamos que será no dia 5 de setembro, o Dia Internacional da Mulher Indígena, que lançamos esta campanha para defender nossos corpos e nossos territórios. Diversas em luta, unidas pela autonomia de nossos corpos e territórios.

Queremos nossos corpos livres e soberanos

Queremos nossos corpos e territórios livres e soberanos

Berta não morreu

Berta não morreu

Berta se tornou milhões, Berta sou eu

Viva Berta, porque Berta não morreu porque vive em todas nós

Meu corpo é meu e eu decido

Em Honduras, fizemos várias campanhas devido o alto nível de femicídios ocorridos em nosso país e pela morte da nossa companheira Berta.

Somos feministas em revolução.

 

Intervenção

Essa é uma intervenção das mães feministas no Eflac, por não terem um espaço de cuidado para crianças. Nós pedimos a companheira neste espaço, para sensibilizarmos todas nós na América Latina que somos mães e feministas, muitas crianças nesse espaço. Uma companheira opressora não nos deixou fazer esse recorte, porque estamos aqui e somos diversas, como nenhuma a menos? Como vão caber as mães feministas? Muitas crianças nesse espaço não tem nem onde dormir, não tem nenhum trocador de fraudas. Juntas somos mais fortes, juntas somos mais fortes, sororidade, linear, parceria, cumplicidade para nós mais feminista.

 

COMPANHEIRAS DE OLHO E ANTISPECISMO CRÍTICO

Nós somos do Chile e vamos fazer um pequeno pronunciamento. Como mulheres feministas, questionamos todas as manifestações do exercício do poder do patriarcado e do capitalismo. A superprodução, mercantilização em todos os corpos, territórios. É nosso dever questionar a violência contra a terra e a natureza, contra nossos corpos e contra os corpos não-humanos, dos animais. Tem sido muito dolorosa a naturalização do consumo do corpo de nossos irmãos animais, que são explorados, estuprados, consumidos, tal como a terra e nossos corpos.

Também tem sido doloroso o uso excessivo de plástico e a contaminação que produzimos como este Encontro. Dói-nos e dói a terra. É por isso que a conexão com os outros, com a terra, sua energia, nossa espiritualidade e com todas as formas de vida e existência no mundo, nesta dimensão, nos curará. É nosso dever curar nossos corpos para curar o corpo coletivo. A conexão com o espiritual é um ato político para a defesa da autonomia, da autonomia do território e de todos os corpos. O espiritual é político. A comida e a defesa da nossa terra é político. Não mais especismo! Defesa da Terra! Algo que nos une como feministas é a crítica. Pensamos e criticamos tudo aquilo que não faz sentido. É por isso que propomos o questionamento de nossas práticas em nosso espaço diário. Propomos questionar nossos privilégios de raça, classe, sexo, idade e espécie.

Propomos incorporar a discussão antiespecista na agenda feminista, que os próximos encontros sejam espaços livres de exploração do corpo dos companheiros não-humanos. E de fazermos cargo da contaminação que podemos gerar em comunidade.

 

COMPANHEIRA NINA BRUGO:

Companhias feministas: consideramos necessário reafirmar e enfatizar, como feministas, que o aborto deve ser legal e gratuito garantido pelo Hospital público. Que os Estados assinaram tratados e acordos internacionais para receber subsídios para serem utilizados em Hospitais dos Estados. Para às mulheres mais vulneráveis. Queremos que o aborto seja legalizado em toda a América Latina. Para demonstrar que os Estados não têm o direito de criminalizar as decisões autônomas das mulheres, seus corpos e sua saúde reprodutiva. Aborto legal, no Hospital! Aborto legal, no Hospital!

 

JOVENS INDÍGENAS:

As jovens indígenas do Enlace Continental de Mulheres Indígenas das Américas reunidas no 14º EFLAC, saudamos as lutas dos movimentos feministas e os movimentos de mulheres, especialmente o movimento de mulheres indígenas e afrodescendentes. Porque continuamos fazendo história. Nossas ancestrais abriram caminhos para a defesa dos direitos dos povos e das mulheres Indígenas. Os povos, as mulheres, as jovens e as meninas indígenas, apesar da desapropriação de nossos territórios e do etnocidio por parte do sistema neoliberal, capitalista e patriarcal, seguimos existindo e perduramos nesta terra. Por essa razão, nos solidarizamos e reconhecemos o grande esforço e dedicação das defensoras dos Direitos Coletivos contra a expropriação e exploração das Terras, Territórios e Bens Naturais dos povos indígenas, e contra as indústrias extrativistas e as grandes empresas. Nossa vida diária baseia-se nos princípios de respeito, reciprocidade e complementaridade, vivendo nossa espiritualidade e com uma visão intergeneracional. Os movimentos de mulheres indígenas e feministas têm sido fonte de pensamentos e ações para combater todas as formas de violência contra as mulheres em Abya Yala, no Caribe e no mundo. Reconhecemos os espaços gerados no diálogo e os intercâmbios intergeracionais entre jovens indígenas e feministas, e dentro do próprio movimento feminista, a fim de garantir a continuidade dos movimentos e a transmissão dos conhecimentos. Também reconhecemos os avanços e a abertura que está ocorrendo por parte do movimento feminista. No entanto, vemos com preocupação que falamos apenas de interculturalidade dentro dos grupos de mulheres indígenas e afrodescendentes. Estas estão presentes. Chamamos as mulheres com situações privilegiadas para levar a interculturalidade como um eixo transversal. Evidenciamos a carente participação de mulheres jovens indígenas em espaços de tomadas de decisão, inclusive nos espaços da sociedade civil, já que não existem mecanismos adequados que permitam sua participação plena e efetiva.

Aplaudimos todos os avanços e diversidades dos movimentos de mulheres. No entanto, no contexto regional é essencial mencionar a profunda preocupação que sentimos sobre os retrocessos ocorridos em matéria de direitos das mulheres e a desapropriação de terras e territórios dos povos indígenas, que afeta fortemente as mulheres jovens; as meninas indígenas e as mulheres indígenas com discapacidade. Celebramos os encontros feministas que permitem o diálogo entre nós para posicionar agendas, fazer alianças, refletir e continuar trabalhando ações conjuntas no presente e no futuro de nossas gerações. Nós levamos esses encontros como espaços de aprendizagem intergeracional na construção de movimentos que lutam contra as hegemonias do poder. Pela vida, pela terra, pela água, levantemo-nos, mulheres da América Latina e do Caribe.

O Estado uruguaio não nos reconhece, diz que não existimos. Aqui somos as mulheres Charrúas. Levante-se irmã. Vamos recuperar, que resurja a memória. O poder da semente.

 

COMPANHEIRAS DE EL SALVADOR:

De El Salvador, convocamos este encontro e o movimento feminista da América Latina e do Caribe para unir nossas vozes e exigir justiça para Teodora. Ela é uma das 17 que foram injustamente condenadas a 30 anos de prisão por homicídio agravado depois de sofrer uma complicação obstétrica. Tudo isso se deve à perseguição e à criminalização do aborto e à negação de nossos direitos reprodutivos. O próximo 8 de dezembro se realizará uma audiência de revisão de sentença. Pedimos a todas nós que lutemos pela liberdade dela. Não estamos todas, faltam as 17! Liberdade para Teodora! Não estamos todas, faltam as 17!

 

COMPANHEIRAS DA AMAZÔNIA

Amigas, somos brasileiras e moramos em um território do Brasil chamado Amazônia. Nós aqui, mulheres participantes desse evento, queremos gritar a cada uma de vocês que representa um território aqui, que ousam o nosso clamor. Nós somos contra e queremos que todas nós possamos somar nesta questão, não queremos nenhum projeto capitalista invadindo o nosso território, matando nossas mulheres pescadoras, ribeirinhas, indígenas, moradoras urbanas, quilombolas, nós queremos dizer que cada uma de nós que somos atacadas lá no Brasil, na Amazônia, na trincheira dos nossos rios, possamos ser ouvidas, e que cada uma se incomode. Fora o Capital! Fora os Golpistas! Fora os assassinatos e genocídio contra nossa juventude negra! Nós mulheres não queremos morrer por nenhuma bala e nenhum vintém do Capital contra a nossa vida e a nossa dignidade, portanto pela vida, viva a Amazônia! viva as mulheres! viva as mulheres negras!

Amazônia querem te acabar, as mulheres não vão deixar, as mulheres não vão deixar!

Amazonia querem te acabar, las mujeres no van a dejar, las mujeres no van a dejar!

Mulheres são como as águas, crescem quando se juntam!

 

COMPANHEIRAS TRANS:

As companheiras feministas trans queríamos estar presentes aqui também. Eu estava lá abaixo e minhas lágrimas caíam, porque vi passar muita gente as quais nós respeitamos. Nós, mulheres trans viemos pedir sororidade. Porque o único que nós queremos é viver em liberdade companheiras. E temos um Estado que nos oprime. Um Estado que não reconhece nossas identidades e os nossos direitos. É por isso que precisamos de vocês para nossas vidas sejam um pouco mais longa. Vivemos 40 anos, companheiras. Com a sororidade de vocês, seguramente viveremos um pouco mais e nossa vida será um pouco melhor. A todas, muito obrigada. E toda vez que encontrarem uma mulher trans, como eu, dê um abraço nela. Diga-lhe que a acompanhará na luta dela, que a respeitarão na sua identidade e que sempre estarão com ela.
Enviaram-me um pedido, é que algumas companheiras sentiram que não se mencionou os direitos plenos das pessoas idosas, e seu direito a felicidade plena.

 

Grupo feminismo espiritualidade:

Boa tarde a todas, eu sou do grupo feminismo espiritualidade, irei ler duas moções que foram aprovadas lá.

Uma primeira moção de repúdio.

Nós feministas reunidas no 14EFLAC, viemos repudiar nos crimes de intolerância religiosa contra as casas de culto de raízes africana no Brasil, é importante destacar que essas casas são dirigidas em sua maioria por mulheres negras, esses espaços religiosos são lugares de construção de saberes tradicionais, acolhedores sociais, principalmente a mulheres relacionadas com problema de saúde integral. A origem da intolerância desses casos é fortemente racista por atacar cultos oriundos da África e praticados por mulheres em sua maioria negras, também repudiamos o avanço do fundamentalismo neopentecostais que é um dos maiores responsáveis pela disseminação do ódio no Brasil.

Agora a moção de Solidariedade.

Nós feministas, reunidas no 14EFLAC viemos manifestar nossa total solidariedade as pessoas de religião de culto de matriz africana no Brasil, que vêm sendo vítimas sistemáticas de crimes de intolerância religiosa, cujo o racismo e o fundamentalismo são base da violência praticada que afeta principalmente a maioria de mulheres negras. A laicidade do Estado é um dos princípios fundamentais e garantido constitucionalmente no Brasil, mas não é respeitado. Nesse sentido, acreditamos e lutamos por uma sociedade justa, igualitária, plural e diversa, onde exista respeito e mais humanidade, separação entre o Estado e religião, fim do racismo e da cultura do ódio. Fora Temer!